Pelos recortes do Cantábrico – Um ❤ a Norte

🙏

🙏✨✅

Km 1 000 atingido na chegada a Finisterra

Percorrer o Caminho do Norte é uma jornada que transcende o físico. Cada passo que dei foi carregado de histórias, de sonhos e de desafios. Pelo caminho, cruzei montanhas e mares (Cantábrico e Atlântico), enfrentei a brisa das madrugadas e o calor abrasador. Mas, acima de tudo, carreguei dentro de mim uma força que nem sabia possuir.

No início, depois de perceber como era o relevo do caminho, talvez houvesse dúvida – seria possível chegar tão longe? No entanto, com o peso da mochila e da esperança sobre os ombros, cada km foi-se transformando em algo maior do que simplesmente a distância. Foi uma transformação. O caminhar, solitário, tornou-se um diálogo com o meu interior, com a natureza que me rodeava e com as almas que se cruzaram.

As paisagens mudaram à medida que me aproximava de Santiago, mas o que verdadeiramente mudou foi o meu olhar. Vi a beleza nas pequenas coisas – no sorriso de um estranho, na sombra de uma árvore, no som dos meus próprios passos ecoando na imensidão da estrada. Cada subida penosa e cada descida cansativa tornaram-se uma metáfora para a vida: altos e baixos, dificuldades e recompensas, sempre em movimento, sempre em frente.

E ao chegar a Finisterra, onde o mundo outrora acabava, percebi que o meu caminho não termina aqui. Este fim é, na verdade, o início de algo maior. Cada km, cada ferida (pois, houve um tombo monumental no último km!), cada gota de cansaço foram também gotas de conquista. Chegar aos 1 000 km não é apenas uma marca física, mas uma vitória da alma. É um testemunho de que, quando seguimos o nosso ❤ e ouvimos o chamamento do caminho, somos capazes de muito mais do que imaginávamos.

Agora, ao olhar para o horizonte onde o mar encontra o céu, sei que este caminho estará para sempre dentro de mim, para onde quer que eu vá. Cada pedra, cada passo, cada suspiro tornou-se parte de mim para sempre. E é isso que faz do meu caminho uma jornada eterna.✨

Parabéns a todos que fizeram este caminho comigo, por esta incrível travessia. Que a nossa luz ilumine sempre o caminho dos que vêm depois.2BuenCamino

Jornada Bilbao a Castro Urdiales: A emoção e a beleza costeira

O amanhecer em Bilbao é quente, são 6:30hrs e já estão 27ºC mas felizmente corre uma aragem, nota-se a mudança de temperatura. A cidade é linda e tem uma energia vibrante cheia de vida e cultura. O meu joelho que nunca me deu problemas, começou a acusar cansaço e com uma jornada tão longa decido ajudar-me a mim própria e “apenas” a fazer 40km e por isso “Bilbao vou voltar para te conhecer convenientemente, desculpa mas tanto calor para mim é demais!”

O camino é um abraço constante da natureza, onde cada passo revela a sua beleza selvagem e a costa basca indomável se faz presente. O mar Cantábrico, com suas águas azuis eternas, confundindo o céu e o mar acompanha a jornada de hoje e é um companheiro fiel, sussurrando histórias de marinheiros, aventuras passadas e canta o canto das sereias.

Ao longo do percurso, pequenas aldeias pitorescas surgem. As casas de pedra, os jardins floridos e as igrejas antigas convidam a uma pausa, um momento para respirar fundo e apreciar a simplicidade e a serenidade da vida rural. Faço sempre a mesma pergunta porque é que não conseguimos ter as nossas casas com estas flores!?

O camino entre Bilbao e Castro Urdiales não é apenas físico, mas um caminho emocional. As subidas íngremes e as descidas acentuadas testam a resistência e a minha determinação, mas também revelam vistas deslumbrantes que recompensam o esforço. Os miradouros ao longo do camino oferecem momentos WOW! com falésias ingremes que mergulham no mar, praias secretas de areia dourada e campos verdes que se estendem até onde a vista alcança.

A meio do camino, o cansaço começa a fazer-se sentir, mas é precisamente nesse momento que a magia do camino se revela. Um encontro fortuito com outro peregrino, num gesto de solidariedade — cada interação lembra-nos que não estamos sozinhos nesta travessia. A camaradagem que se forma entre os peregrinos de Santiago é uma fonte de força renovando a determinação.

A chegada a Castro Urdiales não é apenas o fim de uma etapa, mas a celebração de uma jornada repleta de beleza, desafios e encontros significativos. Cada quilómetro percorrido, cada paisagem, cada pessoa conhecida são parte de uma sinfonia de emoções que ressoará para sempre na minha memória.

Jornada de Markina-Xemein a Bilbao: Não aguento tanto calor!

A manhã em Markina-Xemein começa com um sussurro de tranquilidade, uma promessa de aventura e descoberta, no dia anterior correu por todo o albergue, a sair teria de ser muito cedo, avinhava-se um dia muito quente. E ao sair desta acolhedor pueblo carrego a esperança de uma nova experiência, um novo horizonte para explorar. A etapa até Bilbao é um convite para nos perdermos na beleza da natureza.

Os primeiros passos levam-me por colinas verdejantes e vales serenos, onde a natureza acordar em harmonia com o ❤. Cada passo oferece um desafio, mas também um presente: vistas panorâmicas de momento WOW!, lembrando-nos da grandiosidade do mundo que nos rodeia. O sol matinal filtra-se através das árvores, criando um jogo de luz e sombra que dança no chão, como se a própria floresta me estivesse a saudar, caminho sozinha.

Após horas de caminhada intensa, com subidas acentuadas e o calor a começar a afetar-me, o cansaço começa a pesar.

Pela primeira vez vejo o que será o futuro dos nossos telemóveis, o meu iniciou e pelas 12:30hrs entrou em modo de segurança, só permitindo fazer chamadas de emergência devido ao calor, a esta hora estavam mais de 39ºC.

Por questão de sanidade mental e acima de tudo, estou a fazer um caminho e não algo extraordinário que coloque a vida em risco, decido a 14km de Bilbao (depois de ter feito 41km) que estava na hora de sair dali e apanhei um comboio até Bilbao.

Quando cheguei a Bilbao estavam 50ºC, ainda pensei que fosse erro, mas todos e fotografei 4 outdoor em locais diferentes todos com a mesma temperatura. Posso afirmar que se o futuro for assim, eu não aguento, porque respirar queimava, tudo queimava, o ar totalmente irrespirável, saturado… e não vi Bilbao.2BuenCamino

A Jornada de Deba a Markina-Xemein. O tempo corre devagar

A manhã em Deba desponta com uma brisa fresca. Ao deixar esta pitoresca vila costeira, começa a sentir-se a antecipação de um dia repleto de desafios e descobertas. A etapa que liga Deba a Markina-Xemein é uma prova de resistência e força, uma travessia que testa os limites e celebra a perseverança.

O caminho rapidamente se transforma numa subida íngreme, onde cada passo exige esforço e determinação. As pernas sentem o peso da jornada anterior, mas o coração bate com a emoção de enfrentar o desconhecido. Cada cume alcançado é uma vitória, uma conquista pessoal que alimenta a alma.

O trilho leva-nos por florestas densas, onde a sombra das árvores oferece um alívio do sol que queima. O som das folhas, os pássaros, ou simplesmente o som dos passos entoam a melodia perfeita de natureza, uma melodia que acalma e inspira. O cheiro da terra e da vegetação traz uma conexão profunda com o mundo natural, uma lembrança de que somos todos parte de algo maior.

Há longos momentos de solidão ao longo do caminho, onde o silêncio é quebrado apenas pelo som dos próprios passos. Estes são momentos de introspeção, de reflexão sobre a vida, os sonhos e as metas. A jornada não é apenas física, mas também espiritual, uma oportunidade de encontrar clareza e o propósito.

Ao aproximar-me de Markina-Xemein, a paisagem começa a mudar. Os campos abrem-se em vales verdes, pontilhados por aldeias acolhedoras. A hospitalidade basca é sentida em cada encontro com os locais, apesar de eu ainda achar que estou num país diferente, com uma língua que não entendo.

A chegada a Markina-Xemein é um triunfo e a serenidade de quem sabe valorizar as pequenas coisas. Cada pedra do caminho, cada gota de suor e cada pensamento profundo são celebrados como parte dessa experiência transformadora.

A etapa de Deba a Markina-Xemein não é apenas uma etapa de quilómetros, mas uma jornada de autodescoberta e superação. É um testemunho do poder da vontade humana e da beleza de cada momento vivido intensamente.2BuenCamino

A Jornada de San Sebastián a Deba: Um desafio

À medida que os primeiros raios de sol iluminam as praias douradas de San Sebastián, a cidade despede-se com um brilho especial, encorajando os peregrinos a enfrentarem os desafios do dia, com muitas subidas. Deixar para trás o conforto urbano e mergulhar na natureza é um convite para descobrir não apenas paisagens deslumbrantes, mas também a força interior que reside em cada passo dado.

O caminho começa a serpentear pelas encostas que cercam San Sebastián, oferece vistas panorâmicas de momentos WOW!. O desafio não está apenas nos quilómetros a percorrer, mas nas subidas íngremes e descidas acentuadas que testam a resistência física e mental de cada peregrino. Cada gota de suor é um testemunho da determinação, cada respiração profunda, uma meditação em movimento, e não vou dizer que passa pela cabeça “eu devia estar louca quando tomei esta decisão”, mas não, não estava.

À medida que o dia avança, o corpo começa a sentir o peso da jornada. Os músculos e os pés começam a acusar cansaço, mas o espírito guerreiro de cada peregrino insiste em continuar. Há uma beleza única em cada momento de cansaço, uma revelação de que os limites são feitos para serem superados.

Os trilhos conduzem por florestas densas e aldeias encantadoras, onde o tempo mais uma vez) parece ter parado. O som do rio fluindo pacificamente, é uma canção de serenidade que embala os pensamentos, oferecendo um momento de reflexão..

E infelizmente começo a ter empatia pelos povo espanhol e o turismo. Há um outro tipo de “peregrino”, o Camino del Norte não tem muitas infraestruturas, todos sabemos, mas sempre foi feito e sem grandes problemas. Mas agora há o “peregrino turista” que tem uma credencial faz algumas partes do caminho mas, acima de tudo está ali para fazer turismo e usufruir de preços baixos. Os peregrinos, que tal como eu, deparamo-nos com muitos quilómetros a caminhar para ter alojamento.

Chegar a Deba, foi uma aventura de resiliência e superação, depois de tantos quilómetros, é uma conquista que enche o coração de orgulho. A vista da cidade ao longe, é apenas um lembrete de que cada passo valeu a pena. A chegada não é apenas um final, mas um novo começo, uma prova de que a verdadeira jornada é aquela que se faz dentro de nós mesmos.

Cada quilómetro percorrido entre San Sebastián e Deba é uma vitória pessoal, uma história de superação, descoberta, suor, dor e a certeza fosse a que horas fosse, iria chegar. É um desafio que transforma, mostrando que a beleza da vida está em cada passo dado com coragem, determinação. e resiliência.2BuenCamino

A Jornada de Hendaya a San Sebastián: Uma Sinfonia de Emoções

Para não andar para trás fui a Hendaya no dia da chegada, do albergue de Irun ida e volta são cerca de 3,8km e assim não acrescenta ao dia seguinte. E de repente estamos em França, de um lado a Puente de Santiago e do outro Pont de Saint Jacques.

E pelas 6hrs da manhã (hora espanhola) toca a levantar e preparação para a saída, o albergue oferece pequeno-almoço (eu não consigo tomar quando se avizinham 29 km pela frente).

E Irun vai-se despedindo com a sua brisa marítima suave, um abraço gentil que preenche o coração de cada peregrino com antecipação. Os primeiros passos da jornada são acompanhados pelo canto dos pássaros e pela quase quietude do rio..

À medida que o caminho serpenteia pela costa, a paisagem transforma-se num quadro vivo de verde exuberante e azul infinito. Os trilhos abraçam falésias majestosas, oferecendo vislumbres do Cantábrico que se estende como uma promessa de aventuras além do horizonte. Cada subida é uma conquista, e muitas dores, cada descida, um voo livre e muita conversa entre os vários povos que fazem o Camino del Norte. E hoje a Europa está bem representada temos Portugal, Espanha, Alemanha, Áustria e a Hungria. Mais tarde junta-se a Austrália.

O sol vai ascendendo no céu nublado, os campos com animais a pastar e a humidade é elevada. Há uma conexão quase mágica com a natureza e os passos em sincronia como se todos fossem contando uma história de resiliência e descoberta. As conversas tornam-se confidências partilhadas, unidas pelo espírito da jornada.

Atravessando vilarejos, onde o tempo parece ter parado,

Quando San Sebastián finalmente se revela à vista, é como reencontrar um velho amigo, porque caminhamos há horas sem qualquer contacto com a “civilização”. A cidade acolhe os viajantes com seus encantos, desde as praias douradas até as ruas vibrantes e cheias de vida. Cada passo mais próximo da cidade é um até já, mas também um olá à próxima jornada.

A etapa de Hendaya a San Sebastián não é apenas uma travessia física, mas uma sinfonia de emoções, onde cada momento é uma nota que ressoa na alma, criando uma melodia de lembranças que durará para sempre.2BuenCamino

2 comentários em “Pelos recortes do Cantábrico – Um ❤ a Norte

Deixe um comentário